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Primeiras histórias de verão

Luis Fernando Verissimo

Com o inverno se aproximando... Desculpe, a temperatura me confundiu. Com o verão de aproximando, é tempo para histórias de verão. Entre outras. Vamos lá.


Mulher de banhista chega em casa e encontra o marido beijando outra mulher no sofá da sala.

- O que é isso?! – pergunta.

- Respiração boca a boca, meu bem – responde o marido.

- Quantas vezes eu já lhe pedi pra não trazer trabalho para casa?

flor

Outro banhista salvou uma moça que estava se afogando e a reanimou com respiração boca a boca. A moça levou o banhista para casa, onde ele está até hoje, e explicou para a família que precisa tê-lo a seu lado por precaução:

- Eu posso ter uma recaída.

flor

- Você tem medo de avião?

- Eu? Não.

- Diga a verdade.

- Mas nenhuma. Por que eu teria medo de avião.

- Você não fica nem um pouco nervoso com avião?

- Nada.

- Mesmo?

- Nada. Tranquilo. Eu tenho medo é de viajar de avião.

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COQUETEL

- Está gostando da festa?

- Mais ou menos. Os canapés são de anteontem.

- O quê?

- Eu deveria ter desconfiado. As azeitonas estavam me olhando meio de lado. Acho que queriam me dizer alguma coisa.

- Mas os canapés são fresquíssimos!

- Sei não. É a primeira vez que vejo canapé com chulé. E o uísque...

- Que que tem o uísque? É da Escócia.

- Só se o Paraguai mudou de nome. Quando se sacode o gelo, só falta tocar Índia.

- Quem é o senhor, afinal? Deve ser um penetra. É a primeira vez que vejo o senhor numa festa minha.

- Primeira e última.

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A moça tinha um séquito. Chegava na praia todos os dias com um séquito. “Séquito: conjunto de pessoas que acompanham outra por obrigação ou cortesia; comitiva, acompanhamento, cortejo”, diz o Aurélio. O séquito da moça era por obrigação ou cortesia? Era comitiva, acompanhamento ou cortejo? Ninguém sabia. A moça tirava sua saída de praia e ficava só de biquíni e o séquito em volta, olhando. A moça estendia a esteira na areia e deitava para tomar sol e o séquito ficava ao seu redor, só cuidando para não tapar o sol. Alguns sentavam na areia, outros ficavam de pé. Era um séquito de sete. Quando a moça saía para caminhar na praia, o séquito ia atrás. Todos homens, de idades variadas. Quando a moça entrava no mar, o séquito ficava na beira. Às vezes se inquietavam, quando a moça desaparecia entre as ondas, ou demorava a sair da água. Quando ela saía da água, a rodeavam. Quando ela saía da praia, iam atrás.

Um dia alguém perguntou para a moça:

- Quem são?

- Quem?

- O seu séquito.

- E eu sei?

- Você não conhece nenhum deles?

- Eu não. Eles vão aparecendo e vão ficando.

E a moça contou que quando saía de casa pela manhã o séquito a estava esperando. Não sabia o que o séquito fazia à noite. Ou quando chovia.

- E eles nunca lhe dizem nada? Não falam entre si?

- Não, não. Acho que eles nem se conhecem.

- E ter um séquito assim não a incomoda, não?

- Olha: acho simpático.

E a moça completou:

- Só não gosto quando eles suspiram muito.


Domingo, 27 de outubro de 2002.



Desenvolvido por Carlos Daniel de Lima Soares.